IRMÃS BRASIL



Série fotográfica Ah lá Travesti




- Ah lá, travesti…


Ainda em “Desamparo” vivemos o carnaval de rua, nossa mãe era rainha de bateria, um ícone feminino que nos ensinou a sambar. A fuga de desamparo para o Rio de Janeiro nos fez acessar ao mainstream dos desfiles das escolas de samba do grupo especial, a vitrine das comissões de frente. A festa da carne sempre foi um movimento de libertação, ainda crianças construímos nossa travestilidade na relação com o carnaval, essa série de fotografias vem celebrar a existência de corpas travestis, corpas bandeiras nesse movimento.

A partir de um contexto pandêmico, nesse ano a festa da carne está ameaçada, uma grande população que vive da indústria do carnaval sem emprego. É importante lembrar que o carnaval é construído pelas mãos de bixas e travestis e se nutre uma ideia de que nossas corpas só são aceitas na época do carnaval, é o único momento em que o macho pode se vestir de mulher e assumir a sua feminilidade em público, uma cultura transfóbica praticada pelos bailes das Dorotis, um ato violento com pessoas como nós que vivemos essa realidade a vida inteira.

Construímos um roteiro pela cidade do Rio de Janeiro, escolhemos pontos específicos da cidade que de alguma maneira se relacionam com a festa da carne ou a condenam. Materializar o fantasma do carnaval pandêmico em 2021 com a aparição de Travestis na cidade do samba; que segue maravilhosa e opressora!

Irmãs Brasil, as internacionais:

Viní Ventania Xtravaganza
Vitória Jovem Xtravaganza




Ficha técnica

 
Série Fotográfica
Ah lá travesti...
Rio de Janeiro 2021.


Criação, composição e performance
Irmãs Brasil

Fotografia
Charles Pereira

Beauty
Idra Maria Mamba Negra

Style
Irmãs Brasil

Costeiros
Cabaré Tá na Rua

Assistência técnica
Idra Maria Mamba Negra






Bio


Amparo, SP, 1994. Vive e trabalha em Rio de Janeiro, RJ.

Irmãs Brasil é uma dupla existência de corpas estranhes artistas travestis, nascidas em uma família de peões de rodeio, em Amparo, no interior de São Paulo, foram criadas neste “sertão” machista. As primeiras referências artísticas, a família: o pai – um palhaço de rodeio – e a mãe – uma rainha de bateria.

O choque das linguagens da dança do teatro e da performance compõe a sua poética, como uma língua de cobra a prática experimental da liberdade que constroem em seus processos de criação de mundo, nasce do encontro entre o corpo e as questões que se apresentam urgentes. Trabalham com operações de imagens e signos para criar desvios nas tecnologias heteronormativas e coloniais.

Um estado constante de acidentes escuta e relação na criação de rituais de preparação da carne que dão acesso ao sobrenatural, às ações performativas que constroem como Irmãs Brasil partem da necessidade de escaparem vivas,de presentificar fantasmas e arrebatamentos.

Duas presenças assaltando um espaço-tempo. Devorando e sendo devoradas. Como celebrar existências em risco? Como seguir narrando as ficções de si mesmas e seus processos de cura? Como construir no campo da arte estratégias para não morrer?

Queremos ser alvejadas de Vida e entregar o nosso testemunho; é sobre isso...

Sigam as Irmãs Brasil nas redes sociais: @irmasbrasil_ / https://vimeo.com/irmasbr